Eu não estou interessado em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia, nem no algo mais
Nem em tinta pro meu rosto, ou oba oba, ou melodia
Para acompanhar bocejos, sonhos matinais...
Eu não estou interessado em nenhuma teoria
Nem nessas coisas do oriente, romances astrais
A minha alucinação é suportar o dia-a-dia
E meu delírio é a experiência com coisas reais...
Um preto, um pobre, uma estudante, uma mulher sozinha
Blue jeans e motocicletas, pessoas cinzas, normais
Garotas dentro da noite, revólver: cheira cachorro
Os humilhados do parque com os seus jornais...
Carneiros, mesa, trabalho
Meu corpo que cai do oitavo andar
E a solidão das pessoas dessas capitais
A violência da noite, o movimento do tráfego
Um rapaz delicado e alegre que canta e requebra, é demais!
Cravos, espinhas no rosto, rock, hot dog, "Play it cool, Baby"
Doze Jovens Coloridos, dois policiais
Cumprindo o seu maldito dever
E defendendo o seu amor e a nossa vida
Cumprindo o seu maldito dever
E defendendo o seu amor e a nossa vida...
segunda-feira, 27 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Os Amandas
Lindo texto escrito pelo professor Manoel Ricardo de Lima, baseado nos "bichos" de Wilson Bueno e inspirado em mim:
Os amandas
Sempre complacentes, calados, os amandas podem ser vistos andando pelas calçadas de uma mesma avenida, costumeiramente, indo e vindo, solenes e circunspectos. Distraídos com a hora e com as asas voltadas para qualquer lado, menos ali mesmo, arrastam os pés muito devagar e parecem sufocar o vento enquanto caminham. Quase sempre professores, denunciam esta sua condição interrogativa com a palavra escrita no peito, nas costas, quiçá, algumas vezes, na testa. Em dias frios, costumam caminhar mais devagar ainda, os olhos varando o nada à sua frente e os pescoços enrolados em cachecóis listrados. São educados, silenciosos e parecem ter no silêncio a sua mais desbaratada arma: amar.
Sempre complacentes, calados, os amandas podem ser vistos andando pelas calçadas de uma mesma avenida, costumeiramente, indo e vindo, solenes e circunspectos. Distraídos com a hora e com as asas voltadas para qualquer lado, menos ali mesmo, arrastam os pés muito devagar e parecem sufocar o vento enquanto caminham. Quase sempre professores, denunciam esta sua condição interrogativa com a palavra escrita no peito, nas costas, quiçá, algumas vezes, na testa. Em dias frios, costumam caminhar mais devagar ainda, os olhos varando o nada à sua frente e os pescoços enrolados em cachecóis listrados. São educados, silenciosos e parecem ter no silêncio a sua mais desbaratada arma: amar.
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